Gravidez: última chamada
por Laura Cavallieri

 

Imagem: Reprodução
gravidez tempo

Aos 20, tudo parece simples, livre de empecilhos e complicações. Primeiro, dedicação aos estudos. Afinal, faculdade é fundamental. Já formada, uma bela promoção no trabalho. Depois aquela viagem desejada há tanto tempo. Já descansada, hora da reciclagem. Pós-graduação, mestrado, quem sabe até um doutorado. A essa altura, a casa já está precisando de uma reforma. Agora sim! Planos realizados, dinheiro guardado, está prontinha para ter um filho. Se não fosse por um detalhe: a idade!

Mais importante do que um marido, estabilidade financeira ou vontade, ter filhos requer a idade certa para isso. Se você passou anos esperando pelo momento adequado, hoje talvez seja tarde demais. Tudo porque cismamos que precisamos nos preparar para a maternidade. Quando chega a maturidade, esperamos pelo dinheiro. Quando entra o dinheiro, surge um outro fator. O pai ideal, a família por perto para ajudar a segurar as pontas, enfim! Emendamos uma desculpa na outra, mas nos esquecemos de que nosso corpo é regulado por um relógio muito mais importante do que aquele que acompanhamos na correria do dia-a-dia. O relógio biológico.

No limite

Durante as aulas de biologia aprendemos que temos uma chance por mês para engravidar. Nosso corpo libera um óvulo, e nada mais. Se fecundado, nove meses depois, chega o bebê. O problema é que o período fértil tem hora marcada para acabar. Quando nascemos temos aproximadamente 4 milhões de óvulos (!). Chegando a puberdade, o número cai vertiginosamente: 400 mil óvulos, sendo que, deste total, apenas 450 poderão ser fecundados.

Quando entramos na menopausa, adeus menstruação, adeus óvulos, adeus filhos. Da primeira menstruação à menopausa, são em média 30 anos férteis. Mas, apesar de termos algumas centenas de óvulos prontinhos para serem fecundados ao longo da vida, na prática, não é bem assim que a banda toca. Aos 29 anos, e solteira, a designer Rose Americano já pensa em deixar a gravidez pra cima da hora. "Penso em ter lá pelos 35. Não me sinto preparada para abrir mão do meu tempo, pois tenho sonhos que estão sendo construídos. A maternidade não tem um peso grande para mim, pelo menos agora. Acho que hoje já há recursos, e posso esperar um pouco mais", acredita.

Sonia Valentim é ginecologista especialista em reprodução humana, e sabe que não é fácil como se pensa. Acostumada a acompanhar centenas de mulheres que, por estarem ocupadas demais, não viram a hora passar, relata. “Engravidar naturalmente depois dos 38 pode acontecer, mas é exceção. E se esta for a primeira gravidez da mulher, o risco é ainda maior. Tenho muitas pacientes com mais de 40 querendo engravidar. A partir dos 37, elas começam a se preocupar. Aos 39, chega o desespero. Com essa vida maluca de muito trabalho que levamos, a idade da gestação é cada vez maior. Tanto que, antigamente, chamávamos de primípara idosa aquelas que tivessem o primeiro filho depois dos 30 anos. Hoje, este termo nem se usa mais”, conta Dra. Sonia. O ginecologista e obstetra Amaury Mendes de Araújo percebe a mesma ansiedade. “Elas querem correr atrás do prejuízo, mas geralmente quando isso acontece, é tarde demais. É comum a mulher chegar aos 48 anos, com a menstruação falhando, pensando ser uma gravidez. Elas não se convencem de que é a menopausa. É nesse momento em que vão atinar para a idade”, relata o médico.

Os motivos para a gravidez ser cada vez mais tardia se explica em nosso dia-a-dia. “Hoje, o número de mulheres que opta por não ter filhos é muito grande. Elas preferem investir na carreira, na independência financeira, e, envolvidas com o trabalho, acabam deixando a maternidade de lado. Estão acostumadas a uma vida de muito trabalho, livre de obrigações e demandas familiares”, acredita Dr. Amaury. Só que, mais cedo ou mais tarde, a vontade acaba surgindo.

Os riscos

Mesmo sendo tão desejada, a gravidez tardia é fator de preocupação para os médicos. “Depois dos 36, os riscos de alterações cromossomiais aumentam consideravelmente”, avalia o ginecologista e obstetra Amaury Mendes de Araújo. “No caso da síndrome de Down, o risco que aos 20 anos era de um em 1.340, sobe, aos 36 anos, para um em 270. Já aos 44 anos, a chance da mulher ter um filho com a síndrome é de uma em 35”, compara Dr. Amaury que, em casos de gravidez tardia, recomenda uma batelada de exames. “Quando a paciente passa dos 35, já fico preocupado. Sugiro sempre um estudo cromossomial, tanto da mulher quanto do parceiro. É importante saber da probabilidade de alterações. É claro que há exceções. Uma de minhas pacientes teve o primeiro filho aos 48 anos. Seguimos toda a rotina de exames, que deram ótimos resultados. A criança nasceu saudável, através de cesariana”, revela o ginecologista.

Dra. Sonia também não abre mão dos exames. “Acima dos 38, o risco de má formação é 2% maior do que antes dessa idade. Parece pouco, mas em termos mundiais, é muito grande. As clínicas de reprodução recomendam que se faça análise do DNA do embrião. Assim, verifica-se se essa criança tem ou não má formação”, explica a médica. Em alguns casos, o melhor é recorrer à medicina, optando pela doação de óvulo. “Se a mulher recorre à doação, não há o risco de má formação fetal, garantindo-se a saúde do embrião. Já a mulher, se for saudável, corre riscos muito pequenos. Mas tendo a possibilidade de tentar com seu próprio óvulo, elas sempre preferem”, afirma Sonia Valentim.

Apesar dos riscos, quando a maternidade bate à porta, não há quem se negue a deixá-la entrar. “O grau de desejo delas de ter um filho é muito grande. Elas dão uma atenção enorme àquela gravidez. Afinal, é a última chance de concretizar o sonho”, diz Dr. Amaury.


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Postado por: Lo às 22h53
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"Quando temos que passar por problemas difíceis, e grandes sofrimentos é porque somos especiais e fomos escolhidos pois , temos uma missão a cumprir e em sua sabedoria tem certeza que vamos conseguirenxugue as lágrimas e mãos a obra,vamos descobrir o que temos que fazer"

P.S.: Obrigada Neyla pela mensagem de conforto.



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Postado por: Lo às 23h07
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Por que o desejo da gravidez incomoda tanto?

 

Volta e meia recebo mensagens de muito mau gosto de pessoas criticando o desejo da maternidade, tema principal deste blog. Algumas são tão absurdas (e o pior, tão mal escritas) que deleto de cara. Não vale a pena dar espaço a pessoas tão pequenas e pobres de espírito. Não que eu não aceite críticas. Aceito-as de bom grado desde que tenham substância, sejam inteligentes e desprovidas de ofensas.

 

Infelizmente, não é o caso dessas a que me refiro, calcadas em preconceito e intolerância.

Gostaria muito de entender o motivo pelo qual as pessoas não conseguem respeitar o desejo e o direito do outro, ainda mais quando o que outro deixa ou não de fazer não lhe diz respeito. Em se tratando de direitos sexuais e reprodutivos, essas atitudes são marcantes e recorrentes. É assim com questão do homossexualismo, do aborto e, agora, da reprodução.

 

Em geral, essas críticas seguem um mesmo padrão, a mesma ladainha: “com tanta miséria, crianças morrendo de fome e vocês querendo engravidar? Por que não ajudam uma ONG de crianças carentes”, ou “em vez de ficar gastando dinheiro com tratamento por que não adotam?” A pérola de hoje foi “depois de passar a metade da vida com seus anticonceptivos,  vícios de bebidas e cigarros e depois, com os seus quase 40 anos, querer conceber um filho...nada mais típico da grande pobreza e egoísmo do ser humano de hoje.”

 

Às vezes, divirto-me com essas bobagens e as recolho cuidadosamente para a minha tese de doutorado. Outras vezes, ignoro-as por absoluta falta de paciência e porque meu tempo é curto demais para ser perdido com asneiras. Há vezes, porém, que me entristeço com a pequenez e a ignorância humana. Quando a gente pára e reflete o tempo precioso que essas pessoas perdem apontando o dedo para outro em vez de voltarem para si próprios é, no mínimo, desolador. Não por elas porque, certamente, cegas pela ignorância, pouco se importam com isso. É desolador para o universo, tão carente de energias positivas e de pessoas que querem o bem do outro.

 

Ter ou não filho diz única e exclusivamente respeito aos que vão gerar esse filho. Se esse filho virá naturalmente ou por meio da reprodução assistida aos 20, aos 30, aos 40, aos 50 anos também diz única e exclusivamente ao casal. É preciso que isso fique muito claro na cabeça daqueles que se comportam como verdadeiros juízes, acima do bem e do mal. O desejo de um filho pode perfeitamente caminhar ao lado de uma adoção, de ajuda a instituições de crianças carentes ou outros atos de filantropia. Uma coisa não exclui a outra.

 

Talvez essas pessoas precisem aprender como se tornar realmente belas. Não aquela beleza efêmera que os anos podem desfazer, mas a beleza profunda e verdadeira, que se revela naqueles que são capazes de manter o coração puro e dedicado em cuidar e respeitar todos os seres do planeta, independentemente de cor, do credo, da condição socioeconômica, da opção sexual e, por que não, da opção reprodutiva.



Escrito por Cláudia Collucci às 18h45



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Postado por: Lo às 23h03
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Meu nome e Losangela moro em Salvador/ba sou casada com Mácio há 4 anos, somos muito felizes e atualmente estamos na busca de um dos nossos maiores sonhos: ter o nosso bebê, nossa Sofia. Sou Assistente Social recém-formada, a espera de uma oportunidade de emprego que possa demonstrar todo meu potencial, mas enquanto isso estou cursando Direito, pois considero que este conhecimento
atrelado com o Serviço Social formam um casal perfeito.

Convido amigos para embarcar comigo nesta viagem fascinante cheia de cores, fotos, poesia, sentimentos, discussões, bate-papo, troca de experiência, dicas, desabafos, etc...

Venham e fiquem a vontade!!!!

 



 

 

 

 


  

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